ICMS calculado por fora
A base do ICMS inclui o próprio ICMS. Quem multiplica direto pela alíquota recolhe a menos — e só descobre na fiscalização.
Da DI ao Bling
Numa importação real de artigos de luxo, o relógio que a fatura registrava a R$ 4.878 custou R$ 9.590,74 no estoque. Não é imposto surpresa — é a cadeia inteira somada, rateada e creditada do jeito certo. Quem precifica pela fatura trabalha com uma margem que não existe.
O que encontramos abrindo a API
Antes de escrever uma linha, baixamos a especificação oficial da API do Bling — o arquivo que alimenta a documentação deles, 162 rotas — e lemos o contrato de criação de nota fiscal. Três campos decidem tudo:
| Campo | Estado na API v3 | Consequência |
|---|---|---|
itens[].cfop |
somente leitura | não se define o CFOP pela API |
itens[].impostos |
somente leitura | não se envia imposto pela API |
| nº da DI, desembaraço, adições, AFRMM | não existem | zero ocorrências na especificação inteira |
Não é limitação de plano nem de permissão: o Bling calcula o imposto a partir da natureza de operação e do cadastro do produto. Quem promete “integro sua DI pela API” está vendendo o que a API não tem — e o resultado é nota rejeitada pela SEFAZ ou, pior, aceita errada.
Então invertemos a lógica. A API recebe o que faz o Bling calcular certo; o resto sai impresso, campo a campo, já calculado. Medido em 05/09/2026 e reconferido automaticamente — se o Bling passar a aceitar esses campos, nosso próprio teste avisa.
Três erros que não fazem barulho
Os números abaixo vieram de uma execução real sobre uma DI de três adições e quatro itens — não de estimativa.
A base do ICMS inclui o próprio ICMS. Quem multiplica direto pela alíquota recolhe a menos — e só descobre na fiscalização.
O importador que revende é equiparado a industrial e credita o IPI. Tratar como custo infla o estoque e perde o crédito.
Armazenagem, capatazia e Siscomex entram na base do ICMS. Sem elas o custo sai baixo e a margem parece maior do que é.
O número que decide o preço
Mercadoria de US$ 92.300 — R$ 500.266,00 pela taxa da própria declaração. O que muda não é a mercadoria: é o que a empresa recupera.
| Enquadramento | Custo de aquisição | Sobre a fatura | Relógio (unitário) |
|---|---|---|---|
| Lucro Real | R$ 624.247,70 | +24,8% | R$ 6.086,92 |
| Lucro Presumido | R$ 684.350,84 | +36,8% | R$ 6.672,98 |
| Presumido, sem crédito de IPI | R$ 770.937,25 | +54,1% | R$ 7.870,02 |
| Simples Nacional | R$ 939.464,94 | +87,8% | R$ 9.590,74 |
R$ 315.217,24 separam a primeira linha da última. É a mesma carga, no mesmo porto, no mesmo dia.
Como funciona
O XML do Siscomex ou o JSON do Portal Único. A ferramenta lê os dois — 2026 é o ano da virada e a mesma empresa opera nos dois formatos.
Armazenagem, capatazia, THC, Siscomex, despachante. É o passo mais esquecido e o que mais distorce o custo.
A declaração traz base, alíquota e valor devido. Recalculamos e confrontamos: se não bater, a tela fica vermelha e diz o que não fechou. Verde aqui quer dizer medido, não “rodou”.
O que ele não faz
A API do Bling não expõe o grupo da declaração de importação — os campos simplesmente não existem lá. Qualquer ferramenta que prometa emitir a NF-e de importação inteira pela API está prometendo o que a API não tem.
O que fazemos: cadastramos o produto com NCM e origem corretos, lançamos o custo real no estoque, e imprimimos campo a campo o que falta — número da DI, desembaraço, UF, AFRMM, adições — já calculado, pronto para a tela do Bling ou para o XML.
Preferimos dizer isso agora do que depois de a nota ser rejeitada.
Leva o tempo de subir um arquivo. Se algum número não fechar, a ferramenta diz qual — e por quê.